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domingo, 25 de fevereiro de 2018

Resenha Filme: Dois é uma família

Estou doente, praticamente de cama, e visto isto, resolvi me deliciar com alguns filmes. "Dois é uma família" é um filme francês, com leveza e dinâmica, e piadinhas que só filmes franceses conseguem fazer tão bem. O ator principal, Omar S, é o mesmo que fez Intocáveis. 
A temática deste filme gira em torno de um cara, completamente infantil e irresponsável, que tem a sua vida virada de cabeça para baixo quando descobre que tem uma filha e ela ficará com ele.
A cenas possuem um humor sutil, com apenas alguns personagens no elenco.  O amadurecimento do personagem principal se dá de maneira rápida, porém, apesar de encarar as responsabilidades da vida adulta, esse pai não deixa de ter um toque de divertimento. 
Confesso que tive muita raiva da mãe, que depois de vários anos ausentes, resolve vir sentar na janelinha e citar novas regras. Mas mesmo ela, não é uma pessoa ruim. É só humana. O filme mostra muito bem os aspectos humanos do casal principal. 
O melhor desde filme, e o final, sem sombra de dúvida. Você não viu o filme inteiro se não chegou até o fim, pois é lá que se encontra a joia mais preciosa dessa obra. Uma reviravolta interessantíssima, que te faz amar mais ainda esse pai imperfeito. 
Recomendo de todo o meu coração. 
É o tipo de produção muito bem feita, onde os detalhes fazem as diferenças e os nexos das histórias tem um enlace perfeito.
Recomendado para todas as idades, e posso te garantir, que cada faia etária vai interpretar esse filme com ma historia diferente.
Sensacional.


domingo, 5 de março de 2017

Como mostrar o amor a alguém que só te trata mal

Duas frases rodearam a minha cabeça nessas últimas semanas. A primeira é de Gandhi e diz algo parecido com "Não se combate violência com violência, assim como não se combate fogo com fogo." E a segunda eu vi em um status de Facebook, bem em clima de autoajuda, dizendo: "Você pode se afastar das pessoas que te fazem mal, mesmo que elas forem da sua família". Essas citações culminaram-me, afinal, elas dizem que você pode desistir, se quiser, mas se não quiser, terá que mudar o jeito como está tratando as coisas.

Eu pensei muito no caso e cheguei a conclusão de que não concorda com a oração nº 2. Não se abandona, não se vira as costas quando te pedem ajuda, não finge que não viu quando gritam por socorro na areia movediça, especialmente as pessoas que você se importa.

Para as pessoas que você se importa, você se agarra ao galho mais forte e firme que encontrar, mesmo que for só um graveto e tiver mal grudado na árvore. Você agarra no graveto com uma mão e estende a outra, alongando o máximo que você puder. Pois é isso que você tem: um graveto e braços curtos.

Você também não está bem preso, sente o balancear da árvore. O graveto está quase quebrando. Sabe que ambos podem cair e serem engolidos pela areia faminta. Porém você não tem escolha. Não quer ter escolha.

E se o graveto não aguentar? Então pegamos uma semente e a plantamos, cultivando-a pacientemente até que ela seja capaz de salvar quem deve ser salvo, ou mesmo que ela te dê alimento para o resgate.

E isso é amor.

Amor puro e incondicional.

Você também não está bem. Você tem medo. Medo da areia e medo da pessoa que está para ser resgatada.

Não importa. Pois mesmo aquela pessoa tem xingando de "Puta. Vadia. Vagabunda." você quer olhar no fundo dos olhos dela e falar que a ama. Quer segurá-la em seus braços e dizer: "Pronto. Acabou. Estou aqui."

Mas e se essa pessoa não corresponder? E se ela fugir?

Então prepare seu tênis de corrida. Você vai ter que resgatá-la.

Qualquer coisa menos, não é amor. É outro fato, muito menos poderoso.



quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Piscianos


Para um pisciano, a pior coisa do mundo é não poder sair da realidade, não ter um mundo só seu onde as cores são mais vivas e todos os dias se dorme com o barulho da chuva. Não é apenas o desejo de querer fugir de tudo, é o desejo de ter um lugar para recarregar.
Lugar este no fundo de um livro, numa sensação, numa música relaxante. E quando o pisciano se vê frente a frente com a realidade, ele simplesmente não consegue encará-la, não sem antes passear junto às fadas para que elas lhe deem conselhos mágicos.
É interessante essa relação que os nascidos em peixes tem o universo. Eles são transcendentais, e sua estada na Terra já os cansa, de tal modo a precisarem dar uma volta rápida para uma atmosfera mais etérea.
Um ser sensível como ele, deve sempre estar em contato com energias boas, envolta a coisas místicas. É assim que se sente bem. Não a toa é sonhador, o faz por necessidade.
Quando falavam essas coisas do meu signo, eu nunca acreditei. Porém, mesmo quando criança, criava uma sociedade inteira dentro de mim, com amigos imaginários e personagens que cresciam e amadureciam.
Acreditava piamente ter poderes mágicos, ser uma bruxa escondida no meio de gerações de humanos. Até hoje acho que sou. Mesmo que essa magia tenha se esvairado com as durezas da vida, sinto que só preciso de uma varinha de condão, ou mesmo um pedaço de galho velho, para a vida voltar aos eixos.
É estranho, de uma hora pra outra, se deparar com uma veracidade tão dificultosa. Livros não me fazem mergulhar mais em suas páginas. Filmes e séries arrecadam um sentimento de inutilidade. Não quero mais receber as imaginações dos outros, quero criar as minhas. Mas com que inspirações?
Quando uma onde de depressão atinge você, como tantas outras vezes aconteceram, precisa se armar, de maneira eficiente, que não se canse de carregá-las.
Hoje, na minha vida, sinto um quê de tristeza muito grande. E as vezes nem tem um motivo concreto. O simples fato do meu mundo mágico estar interditado para obras me incomoda.
Se você tem um amigo de peixes, vai perceber que eles gostam de reclamar muito, contudo, ele só reclamará com você se forem muito íntimos. Peixes não confia em qualquer um, e antes de fazê-lo, se for fazê-lo, passa uma imagem completamente oposta, com um envoltório muito mais bonito e belo.
Na cabeça dele, o mundo quer vê-lo assim, e não são todos que tem tempo para suas angústia.
Mas o pisciano se arrepende também em confiar demais em alguém, afinal, esse pessoa não mais o admira tanto.
No fundo, ele espera algo sem julgamento. Alguém que absorva os seus murmúrios, sem diminuí-lo ou usar contra.
E se você realmente quiser ajudar um pisciano, faça uma toca de coelho e diga a ele que ali morou uma comunidade inteira de gnomos encantados e deixe-o lá por algumas horas. Pronto. Ele está curado.


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Ogrinhos

Quando eu era pequena e via os príncipes corajosos nos desenhos da Disney eu sempre imaginei que o meu Sr. Certo seria assim. Então a gente cresce e percebe que nenhum são príncipes, e a maioria é Shrek. Porém, até o ogro verde tem coragem. Ele enfrentou um dragão, a família dela e de quebra o burro. E estão com três filhos pra cuidar!
Ele pode até estar com medo, mas não exitou em cumprir os seus objetivos. Não ficou marcando compromissos para adiar a sua missão. E nem se escondendo atrás dos amigos. Os amigos os apoiaram, mas foi ele sozinho que conquistou a princesa.
Os ogros de hoje em dia se esqueceram de crescer. Ou será que são as ogras que estão velhas demais?
O fato é que ogras querem a disponibilidade deles. Querem ligar e não dependerem de ninguém. Querem um companheiro para os banhos relaxantes no pântanos. Querem que eles tenham idéias para o jantar e apareçam com algo novo de vez em quando.Querem presentes com significado. E não algo que estavam precisando e tinha que acontecer.
Novidade seria um bom pedido. Até nas falas ao pé do ouvido a mesma coisa cansa, né? E dica, quando a ogra preguntar como foi o dia assustador do ogro, que ele não comece falando que foi horrível e que não assustou ninguém.
A ogra não pede muito.
Acho que no fundo ela quer um ogro mais crescidinho, mais sabido da vida.


domingo, 3 de novembro de 2013

O que tiver que ser, será.

Incrível como nossa vida é regada por frases desses tipo. Naquela momento em que não sabemos  o que esperar, sempre tem um neurônio com esse bordão pronto a declarar. Como se, ao falar clichês desses tipos, as situação não esteja mais em suas mãos, e sim em algo divino.
Porém, eu conheço Fortuna. Ela é uma roda sempre pronta a girar, e nunca apta a pular para a parte que interessa.
Independente do que aconteça, iremos nos contentar com o fato no final, não durante. O "durante" é sempre estranho e o "antes" muito assustador.
Antes não sabemos nada. Podemos ter algum tipo de sentimento, mas ele não nos garante certeza sobre coisa alguma. E isso é ruim. Porque é no "antes" que escolhemos. 
Escolhas que determinam o "depois". E esse "depois", seja ela bom ou ruim, afeta no nosso "durante".
É o "durante" dono da saudade, o coletador de lágrimas. O "durante" é safado, ele não nos deixa desvendá-lo, prevê-lo. Ele acontece e se esquece do que o "antes" havia prometido.
Por isso Fortuna é uma roda, e não um bang-jump. Pra ela, é sempre o "durante". Nós, seres carentes e incertos, que preferimos não pensar no "durante". Mas ele está aí, te esperando, convivendo com você.
Não importa o que aconteça, você sempre está de mãos dadas com o "durante". O resto é ilusão.


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Churrasco dos 100 dias

Na UNESP, temos a tradição de fazer o Churrasco dos Dias. Churrasco dos 500 Dias para a formatura, dos 300, dos 100, dos 50, dos "não importa o dia, vamos beber". E vez por outra, quando estes acontecem, há uma série básica de perguntas feitas aos formandos:
"O que vai fazer quando sair daqui?"
"Está pensando em voltar pra casa?"
"Vai trabalhar no nordeste?"
"Mestrado?"
"Ah.. ainda não vai dar pra fazer a colação, ok, ok.. acontece né?"
 E agora, com essa onde de novos investimentos por ai, a maioria responde:
"Acha que vou ser empreendedor. Ser autônomo."
Então eu fico só olhando para aquele futuro profissional e pensando: "Será que ele sabe o significado da palavra 'autônomo' ?"
Porque recebemos um monte de influências e histórias de pessoas que saíram do nada e agora são donos de grandes empresas bem sucedidas. Várias palestras são criadas e expostas com esse objetivo. Criou-se uma espécie de lenda urbana empresarial. Todo mundo pode ser o que quiser. Fazer o que gosta. Ganhar dinheiro com isso.
Concordo.
Porém, uma economia não é feita apenas de gente poderosa.
E desses criadores de grandes empresas, quantos não ficaram para traz.
Lanço um desafio para os organizadores de palestras empreendedoras. Pare de falar dos bem sucedidos. Dedique-se aos fracassados.
Não para assustar os jovens profissionais, mas para mostrá-los que há várias consequências para um mesmo caminho.
Claro que eu não tenho a experiência e nem a aptidão para criticar ninguém. Eu ainda imagino o meu trabalho perfeito como algo que dure 6 horas por dia e me permita comprar um jatinho no final do mês.
Entretanto, apesar de gostar de ficção, na vida devemos colocar o pé no chão. Não porque somos pessimistas, e sim pela estratégia.
"No impossível temos menos concorrência" . Verdade. Mas para chegar lá, precisamos passar pelo possível. E é esse o problema.


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Um é pouco. Dois é bom. Três é demais.

Quando eu estava prestes a me mudar para a cidade universitária onde eu moro, todas as aventuras de American Pie e aquele negócio de friendship forever fervilharam na minha mente. Como os estudantes percebem, aquilo é uma tremenda mentira.
No primeiro ano não aguentava mais a minha companheira de casa, e quando ela se foi, e uma bixete veio, eu realmente achei que as coisas mudariam.
Contudo, todavia, entretanto, uma das pessoas que eu mais me dei bem na faculdade começou a namorar, e não contente com isso, começou a ser mandada pelo namorado.
No primeiro ano de namoro dele, eu mal a via durante a semana. Ele chegava em casa de madrugada, demorava alguns minutos para refazer a mala dela, enquanto ele a esperava na sala, e ambos voltavam felizes para o apartamento dele.
Eu não tenho nada a ver com isso, claro. Porém, eles não ficavam sozinhos naquele apartamento e o companheiro de casa dele começou a se enfezar, e o que aconteceu? Ele foi embora, desmanchando toda a casa.
Com isso, eles resolveram se apossar do apartamento dela. Ou seja, ficamos algumas semanas morando em 3, e eu, morando em uma rep mista contra a minha vontade.
Ele chegou a tomar banho em casa.
Cheguei e conversei. Não foi fácil. Ela não é mais tão amiga quanto antes e ele mal olha pra mim. Fica uma situação esquisita toda a vez que estamos os três em casa. Ou mesmo só nós duas. A porta do quarto estás sempre fechada de ambas as partes e dificilmente temos assunto em comum.
Ela até decidiu mudar de apartamento. Por mim, tudo bem.
No inicio, achei meio exagero da minha parte. Eu não me importo que ele durma lá, só me importo dele viver lá. Sabe, namorados em rep femininas tem que ter em mente de que são visitas. Eles podem ficar lá o tanto de tempo que quiserem, mas no final das contas, devem sempre abaixar a tampa do banheiro.
Não tinha essa ideia tão nítida na minha mente até ontem.
Eu estava super produzida para sair com um cara. Camisa, short e salto. Quando o terceiro elemento apareceu e demorou longos segundos olhando para as minhas pernas. Ou seja, ele se acha no direito de ditar as regras na minha própria casa, torná-la um lugar onde eu não posso nem chegar e tirar o sutiã, e ainda me vem com uma paquerada dessas?
Eu vi safadeza naquele olhar. E safadeza na minha própria casa. Até as mulheres muçulmanas podem tirar o véu e se sentirem confortáveis dentro de casa, eu não?


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Puta puta puta

Quando meu primo era mais novo, uns dois aninhos mais ou menos, o meu tio o levou para passear de carro. Uma moto ultrapassou de maneira errada e meu tio gritou:
_Seu filho da puta!
A partir disso, meu primo começou a repetir "Puta. Puta. Puta." Era fato que não sabia o que significava essa palavra, mas achava engraçado o jeito horrorizado que as pessoas olhavam para ele e a maneira como repreendiam o meu tio. Se alguém dizia algo, ele interrompia com uma gargalhada gostosa de criança.
Hoje em dia, comparando as ações das pessoas, eu digo que elas não são tão diferentes do meu priminho. Elas falam puta sem se preocupar de que isso não define caráter. Falam puta para se defenderem.
Fui a um churrasco da faculdade. Apenas unespianos lá. Ou seja, o vestibular selecionou um pouco o QI dos convidados. Conversando, um deles virou horrorizado para as minhas unhas.
_Esse esmalte é vermelho de puta!
E um outro completou:
_Isso e passar batom vermelho também!
Eu parei.
_Passo batom vermelho todo o dia para ir para a faculdade.
Então eu senti os olhares de pena e desgosto caírem sobre mim.
Como se a cor disso ou daquilo definisse o tipo de pessoa que sou. E, francamente, sabemos que na faculdade todo mundo tem o rabo preso em alguma coisa.
As pessoas usam a palavra "puta" para impedir que fazemos algo, para nos proteger, quando a final, elas só ficam repetindo "Puta. Puta. Puta" porque, assim, acham que ficam imune a isso ou aquilo.
Os homens se esquecem que para serem os pegadores, precisam de mulheres. E eles tem medo dessas mulheres. O maior medo de um homem, além do chute no saco, é um par de chifres. E as supostas putas não se importam em correr atras da sua felicidade, sem ficar chorando por ai.
Uma das meninas que estava comigo, ficou até altas horas, esperando um amigo dela dar uma rapidinha, para que ela a veja ir embora sozinha, assim ele não teria como falar mal dela.
Então eu penso: por que, Senhor?
Quem é ele para dar carta de ingenuidade a alguém?
"Ah.. mas depois ele vai ficar falando mal..."
Dane-se!
Ele, pelo visto, não é nenhum santo, também.
Somos mulheres independentes, lavamos nossas calcinhas e tomamos nossas dps. Serei puta quando eu quiser. Não vai ser você, ou a cor da minha unha, que falará por mim.
Se eu quiser dar no primeiro encontro, darei. Se eu quiser casar virgem, casarei.
Não me inclua em seus esteriótipos.
E se você tem medo de mim, vá embora.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Game Of Thrones



AVISO: ESSE POST CONTÉM O FINAL DO EPISÓDIO 9 DA 3ª TEMPORADA DE GAME OF THRONES. ESTEJA CIENTE DO SPOILE SE CONTINUAR.

É pleonasmo dizer que sou fã de fantasias. Minhas primeiras vírgulas foram inspiradas em feiticeiras e dragões. Assisti Coração de Cavaleiro tantas vezes quanto posso me lembras das tardes de sexta. Despertei a deusa em mim com Brumas de Avalon, fora tantas outras aventuras lidas ou escritas.

O fenômeno da vez é "As crônicas de gelo e fogo" de George R. R. Martin. Espero ansiosa para ler sua obra no inglês, porém, enquanto a faculdade não me dá vida social, usufruo da brilhante adaptação da HBO. Uma super produção digna à obra.

Esse último episódio The Rains of Castamere provocou um vuco-vuco nas redes sociais, tudo graças a última cena: o casamento vermelho. Houve reações de diversos tipos. A morte dos Starks foi uma prova de fogo aos fãs. Só continuará a assistir a série quem for contra clichês e confiar nas injustiças da vida.

Como também virgulista, eu parabenizo Martin (não que ele precisasse da minha aprovação para ser o gênio que é, mas enfim). Robb, Catelyn e Jeyne são personagens queridos e aclamados pelo público. As pessoas eram apegadas a eles, viam um futuro com eles. Eu mesma, apesar do exército dos Starks estarem em desvantagem, já imaginava que, por um milagre literário, eles alcansariam o Trono de Ferro. Rolava um sentimento, saca?

E Martin sabia disso, planejou isso. Não foi coincidência Jeyne anunciar, em uma momento de amor do casal, que o nome do filho deles, se fosse menino, seria Eddard. O autor nos fez suspirar, amar aquela criança e reviver o Ned nela. O pobre defunto também foi lembrado por sua sensibilidade no casamento com Catelyn. Até o pressentimento de Arya revela a esperteza do autor.

Todos esses elementos foram criados para laços de afeição. Um extenuante, para que a surpresa torne-se mais traumática. Tal atitude exige coragem. Se o leitor ou telespectador sente-se vinculado a um personagem que passou alguns dias juntos, imagine o autor, cujas personagens são ele, se não no começo, passa a ser no final?

Lembro-me do meu primeiro personagem importante que matei. Eu chorei. Chorei quando decidi fazê-lo e percebi que minha trama não faria sentido se não o fizesse, e chorei quando imortalizei a cena em palavras. Um livro é com um filho, as vezes temos que lhe dar alguns sacodes para melhorá-lo.

Em uma entrevista Martin disso que a cena do casamento foi inspirada em episódios históricos reais. Uma boa dica para melhorar as carnificinas em meus livros: recorrer à história do mundo, sempre muito cruel. Costumes, honra e traição. Não me admira o esplendor da trama.

Se você ficou putíssimo com o ocorrido da trama, dane-se. A cabeça de Martin é um caixa de Pandora. O bem e o mal pedem surgir para dominar o mundo. Nossa única opção é confiar no autor. Agora, se ele morrer antes de acabar a série, só nos resta rir, enquanto organizamos uma revolução contra as injustiças da vida, afinal, ela é uma caixinha de surpresas.